
Territórios moldam histórias. O bairro onde uma pessoa instala sua empresa, onde passa suas manhãs e suas tardes, onde observa o cotidiano das famílias ao redor, pode se tornar o ponto de partida de uma trajetória que vai muito além da atividade comercial original. Foi o que aconteceu com Eloizio Gomes Afonso Duraes quando chegou ao Jaguaré em julho de 2003. O bairro o inspirou, o mobilizou e se tornou o território de nascimento de uma das iniciativas filantrópicas mais consistentes da história recente de São Paulo.
O Jaguaré que poucos conhecem
O bairro do Jaguaré ocupa uma posição geográfica peculiar na zona oeste de São Paulo: é simultaneamente industrial, residencial e periférico, num sentido econômico e social que a atividade comercial ao redor frequentemente encobre. O CEAGESP, uma das maiores centrais de abastecimento do hemisfério sul, cria um movimento econômico intenso que convive, paradoxalmente, com bolsões de vulnerabilidade, nos quais famílias trabalhadoras têm acesso limitado a serviços públicos de qualidade.
Crianças crescem nesse território com o mesmo talento e a mesma curiosidade de crianças de qualquer outro bairro de São Paulo, mas com acesso muito mais restrito às ferramentas que permitem desenvolver esse potencial. Eloizo Gomes Afonso Duraes percebeu esse contraste com a nitidez de quem observa de perto, não de quem analisa mapas de vulnerabilidade em gabinetes distantes.

Eloizo Gomes Afonso Duraes
Da percepção à ação em dois meses
O intervalo entre a chegada de Eloizo Gomes Afonso Duraes ao Jaguaré em julho de 2003 e o início das primeiras aulas de informática em setembro do mesmo ano foi de apenas dois meses. Essa velocidade de resposta não foi impulsividade: foi a expressão de uma convicção que não tolera a procrastinação que frequentemente separa intenções de ações no campo filantrópico.
Em outubro de 2003, a Fundação estava registrada. Em fevereiro de 2004, o reforço escolar começava. Em março, coral e teatro. Em maio, o Projeto Sopão. Em agosto, as cestas básicas. O Jaguaré foi, em menos de um ano e meio, transformado num território com programas sociais integrados de uma qualidade que muitos bairros muito mais privilegiados não conseguem oferecer às suas crianças.
Um endereço que virou legado
Hoje, o portão 13 do CEAGESP é mais do que um acesso logístico a uma central de abastecimento. É o endereço por onde crianças do Jaguaré e arredores entram para receber o cuidado, o suporte educacional e as oportunidades que Eloizio Gomes Afonso Duraes decidiu criar em 2003. Esse endereço carrega, em si, a história completa de uma decisão que transformou um bairro industrial paulistano no ponto de partida de uma fundação que hoje atua em quatro estados brasileiros.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez









