A Ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Tereza Cristina, anunciou que o governo federal lançará em setembro uma política pública para incentivar a preservação de recursos hídricos nas propriedades rurais. O programa Águas do Agro visa implementar estratégias para a conservação do solo e da vegetação ciliar nas microbacias hidrográficas. A iniciativa chegou a ser anunciada em março deste ano com o objetivo de fortalecer o uso de tecnologias sustentáveis e boas práticas de manejo de água e solos, mas não saiu do papel.

O governo federal já tinha planejado o fornecimento de assistência técnica, capacitação e linhas de crédito para estimular as ações de preservação de água da porteira para dentro. Entretanto, não foi confirmado se essas iniciativas serão mantidas no programa a ser lançado no próximo mês.

Crise hídrica

O lançamento da política pública acontece diante da pior crise hídrica do Brasil nos últimos 91 anos. As dificuldades climáticas levaram o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) a reduzir a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária em 2021 de 2,6% para 1,7%.

A volta da influência do La Niña deve afetar o regime de chuvas e aprofundar a falta de água, em especial no Centro-Sul do País. O fenômeno climático deve começar na primavera, com ápice em novembro e efeitos sentidos até dezembro. Isso pode prejudicar, novamente, o plantio e o enchimento das lavouras de soja, além das plantações de milho, como ocorreu no ano passado.

No caso da pecuária, a produção de bovinos deve apresentar queda de 1% no ano, mas o desenvolvimento de outros setores sustentará um crescimento de 1,8% em 2021.

A água é essencial para a manutenção das atividades do agronegócio, portanto o uso correto e a preservação dos recursos hídricos é um passo fundamental para garantir a produção agrícola. Uma série de ações simples pode ser adotada por agricultores para aumentar ou conservar os níveis do recurso natural dentro da propriedade.

O armazenamento de água da chuva é uma prática bastante difundida no semiárido nordestino para enfrentar grandes períodos de estiagem e pode ser praticado em outras regiões para garantir o abastecimento hídrico durante todo o ano. Além disso, o agricultor pode substituir a irrigação com fluxo constante por técnicas mais econômicas, como gotejamento, tendo a possibilidade de reduzir o consumo de água pela metade.

O uso de telas também é uma solução, uma vez que reduz a exposição ao sol e, consequentemente, o ressecamento das plantas. A aplicação do material em plantações pequenas e médias equilibra a temperatura e pode diminuir a demanda hídrica em até 20%.

 

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