Nuvens escuras de tempestade avançam sobre um extenso campo de trigo em área rural.

As chuvas registradas entre 1º e 21 de setembro ajudaram a impulsionar o início da safra 2026/27 em diferentes regiões produtoras do Brasil. O cenário, no entanto, é marcado por contrastes: enquanto a umidade favorece a semeadura de culturas como soja, milho e arroz, o excesso de precipitações cria dificuldades para lavouras de trigo em desenvolvimento, maturação e colheita.

As informações foram divulgadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 28 de setembro de 2026. A avaliação considera o comportamento do clima e a evolução das principais culturas agrícolas em várias áreas do país.

Plantio avança no Centro-Sul

O plantio da soja começou em áreas de Mato Grosso do Sul e do Paraná onde o período de vazio sanitário já havia terminado. A ocorrência de chuvas contribuiu para melhorar as condições de umidade do solo e permitiu o avanço inicial da semeadura, embora o ritmo siga condicionado à distribuição das precipitações e à possibilidade de entrada de máquinas nas lavouras.

No Paraná e em Santa Catarina, a umidade também beneficiou o milho primeira safra. Em algumas áreas, porém, o solo encharcado limitou o trânsito de equipamentos agrícolas. Essa condição pode dificultar operações de preparo e plantio, especialmente quando as chuvas ocorrem em sequência e reduzem a janela disponível para o trabalho no campo.

No Rio Grande do Sul, cerca de 10 mil hectares de arroz já haviam sido semeados na Fronteira Oeste até o período analisado. O avanço representa o início das atividades para a cultura em uma das principais regiões produtoras do estado, mas a continuidade do calendário dependerá das condições locais de solo e do comportamento do tempo.

Matopiba ainda espera recuperação da umidade

O quadro observado no Matopiba — região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — é diferente do registrado no Sul do país. As chuvas reduziram o risco de incêndios, mas não foram suficientes para recuperar a umidade do solo em grande parte da área e viabilizar o plantio da maioria das lavouras de sequeiro.

A situação reforça a influência da distribuição geográfica das chuvas sobre o calendário agrícola brasileiro. A precipitação pode ser favorável para uma região e, ao mesmo tempo, insuficiente para outra. No Semiárido de Minas Gerais e do Nordeste, praticamente não houve chuva durante o intervalo considerado pela Conab, mantendo condições menos favoráveis para o início das atividades dependentes de umidade.

Excesso de chuva preocupa trigo

O trigo concentra os principais pontos de atenção no monitoramento da safra de inverno. No Paraná, os produtores precisam ajustar o ritmo da colheita para evitar períodos chuvosos e reduzir o risco de perda de qualidade dos grãos. A escolha do momento adequado para retirar a produção do campo se torna especialmente importante quando há previsão de novas precipitações.

Em Santa Catarina, a sequência de chuvas aumentou a pressão de doenças nas lavouras. Entre os problemas citados estão giberela, ferrugens, oídio e manchas foliares. A presença de umidade por períodos prolongados pode favorecer o desenvolvimento desses agentes e exigir acompanhamento mais frequente das áreas cultivadas.

Em São Paulo, a combinação de precipitações e temperaturas baixas pode comprometer a qualidade do trigo e favorecer a germinação dos grãos ainda na espiga. Esse tipo de ocorrência reduz o potencial de aproveitamento da produção e torna o monitoramento das lavouras decisivo nas etapas finais do ciclo.

Monitoramento reúne dados de campo e imagens de satélite

O acompanhamento apresentado pela Conab integra informações meteorológicas, observações realizadas em campo e dados obtidos por sensoriamento remoto. O Boletim de Monitoramento Agrícola de setembro de 2026 também reúne a participação de instituições como o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o Grupo de Monitoramento Global da Agricultura.

Em um país de dimensões continentais, essa combinação de fontes permite observar diferenças entre regiões produtoras e acompanhar a evolução das culturas ao longo do ciclo. O uso de imagens de satélite ajuda a ampliar a cobertura da análise, enquanto os registros de campo e os dados meteorológicos contribuem para interpretar os impactos do clima sobre o plantio, o desenvolvimento das plantas e a colheita.

O início da safra 2026/27, portanto, ocorre sob condições heterogêneas. A umidade abre espaço para o avanço de algumas culturas no Centro-Sul, mas a falta de chuva ainda limita o plantio em parte do Matopiba e do Semiárido. Ao mesmo tempo, o excesso de precipitações exige atenção redobrada dos produtores de trigo, sobretudo nas fases de maturação e colheita.

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