Setor cresce mesmo com retração na venda de máquinas agrícolas tradicionais e já conta com mais de 35 mil equipamentos em operação no país.

Enquanto boa parte do maquinário agrícola tradicional enfrenta um ano mais difícil, um segmento específico da tecnologia rural segue crescendo em ritmo acelerado. A dúvida que fica para quem acompanha o setor é: o que explica essa resistência dos drones num momento de retração generalizada do mercado de equipamentos?

O mercado de drones agrícolas deve movimentar R$ 2 bilhões no Brasil em 2026, segundo dados divulgados pela Xmobots, maior empresa de drones da América Latina e parceira oficial da DJI Agriculture no país, que detém o maior market share do segmento nacional. A expectativa é baseada no número previsto de ativações e no ticket médio praticado pelo setor, reforçando o papel dos drones como uma das principais tecnologias da agricultura de precisão brasileira. Xmobots

Um contraste com o restante do mercado de máquinas

O avanço dos drones chama ainda mais atenção quando comparado ao desempenho de outros segmentos do agronegócio. O setor de máquinas agrícolas projeta retração de 15% a 20% em 2026, segundo estimativas da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos. Enquanto tratores e colheitadeiras enfrentam um ciclo de menor investimento, os drones parecem se beneficiar de um custo de entrada mais acessível e de um retorno mais rápido para o produtor. Xmobots

Esse crescimento também reflete uma mudança na forma como as empresas do setor atuam. Além da distribuição de equipamentos, a Xmobots atua no desenvolvimento de tecnologias voltadas à ampliação da produtividade, da rastreabilidade e da eficiência operacional, estruturando um ecossistema de soluções complementares aos drones, envolvendo produtividade, logística operacional e gestão das aplicações. Xmobots

Escala e regulamentação do setor

O uso de drones deixou de ser exceção no campo brasileiro há alguns anos, mas a escala atual ainda impressiona. O Brasil tem mais de 35 mil drones agrícolas em operação, conforme dados do Ministério da Agricultura, com aproximadamente 7.800 cadastrados especificamente na ANAC e projeção setorial de chegar a 90 mil unidades até o final de 2026, colocando o país como o segundo maior mercado mundial de aviação agrícola, atrás apenas dos Estados Unidos. Irlen Menezes

Esse crescimento acelerado também trouxe atenção regulatória mais rigorosa. A regulamentação do setor envolve quatro camadas distintas, com ANAC, DECEA, ANATEL e MAPA, e passa por pressão crescente com a vigência da nova ICA 100-40 e do RBAC 100, que buscam separar operadores regularizados de irregulares em meio à disputa de mercado entre fabricantes como DJI e XAG. Irlen Menezes

O que essa tecnologia representa na prática

Para o produtor que ainda avalia investir nesse tipo de equipamento, o ganho vai além da aplicação de defensivos. Além de aplicar fertilizantes, inoculantes, defensivos agrícolas e até sementes de forma precisa, os drones também são usados para verificar instalações, silos, linhas e canais de irrigação, e permitem ao pecuarista sobrevoar e contar o rebanho em pastagens extensivas, ajudando a acompanhar a saúde e o desenvolvimento dos animais. Agrosummit

Com preços de entrada que já competem com parte do maquinário tradicional e um leque de aplicações cada vez maior, os drones agrícolas caminham para deixar de ser um diferencial tecnológico restrito às grandes propriedades e se tornar uma ferramenta cada vez mais comum na rotina de produtores de diferentes portes em todo o país.

Fontes: Xmobots | Irlen Menezes | Agro Summit

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