Odair José Mannrich

Tendo experiência como engenheiro, Odair José Mannrich observa que eventos climáticos extremos, como secas prolongadas e chuvas intensas concentradas em curtos períodos, têm colocado à prova a infraestrutura de abastecimento de água das principais regiões metropolitanas do país. A resiliência desses sistemas deixou de ser um conceito abstrato para se tornar uma exigência técnica inegociável, demandando intervenções de engenharia que garantam a continuidade do serviço mesmo sob condições adversas. O planejamento hídrico moderno precisa incorporar variáveis climáticas que, até pouco tempo, eram tratadas como exceção.

O impacto das secas prolongadas

Períodos de estiagem acima da média histórica reduzem a vazão dos mananciais superficiais e rebaixam o nível dos reservatórios, comprometendo a captação e o tratamento de água. Sistemas projetados para vazões médias do século passado não suportam a nova realidade climática, e a simples ampliação das capacidades de captação não resolve o problema de forma sustentável.

 

A diversificação das fontes de abastecimento, com a integração de mananciais superficiais e subterrâneos, é uma das estratégias mais eficazes para aumentar a resiliência. Poços tubulares profundos, quando devidamente outorgados e monitorados, funcionam como reserva estratégica em períodos críticos, aliviando a pressão sobre os reservatórios superficiais.

Cheias extremas e turbidez da água

Chuvas intensas carreiam sedimentos, resíduos e contaminantes para os corpos hídricos, elevando a turbidez da água bruta a níveis que comprometem o tratamento convencional. Odair José Mannrich indica que estações de tratamento projetadas para turbidez média não conseguem operar de forma eficiente durante eventos extremos, gerando interrupções no abastecimento ou distribuição de água fora dos padrões de potabilidade.

 

A instalação de sistemas de pré-ozonização, coagulação enhanced e filtração direta em alta taxa permite que as estações enfrentem picos de turbidez sem interromper a produção. A automação dos processos, com sensores online de turbidez, pH e cor aparente, ajusta em tempo real as dosagens de produtos químicos, mantendo a qualidade da água tratada.

Odair José Mannrich

Odair José Mannrich

Reservação estratégica e setorização

A capacidade de reservação é o principal amortecedor de crises no abastecimento, permitindo que o sistema mantenha a distribuição mesmo durante interrupções temporárias na captação ou no tratamento. Odair José Mannrich pondera que municípios com volumes de reservação equivalentes a pelo menos 24 horas de consumo médio enfrentam com muito mais tranquilidade em eventos de manutenção emergencial ou de redução de vazão nos mananciais.

 

A setorização das redes de distribuição, com macromedição e controle de pressão por zonas, reduz as perdas reais e facilita o gerenciamento de crises. Em situações de racionamento, a setorização permite direcionar a água disponível para as áreas prioritárias, como hospitais e regiões de alta densidade populacional, minimizando o impacto social da escassez.

Fontes alternativas e reúso

O reúso de água tratada para fins não potáveis, como irrigação de áreas verdes, lavagem de logradouros e processos industriais, reduz a pressão sobre os mananciais de abastecimento público. Em vista disso, Odair José Mannrich destaca que a implantação de redes dedicadas de água de reúso em parques industriais e condomínios comerciais representa um ganho duplo: preserva a água potável para consumo humano e diversifica a matriz de abastecimento.

 

A captação de água pluvial em grandes coberturas, como galpões industriais e centros comerciais, complementa o portfólio de fontes alternativas quando associado a sistemas de tratamento simplificados. A resiliência climática no abastecimento de água depende da combinação entre diversificação de fontes, automação de processos e planejamento de longo prazo, capazes de antecipar os cenários extremos que se tornaram a nova normalidade.

 

A integração de sistemas de alerta precoce baseados em dados meteorológicos e hidrológicos permite que as concessionárias antecipem eventos críticos e ajustem a operação com antecedência, reforça Odair José Mannrich, transformando a reação em prevenção efetiva e garantindo segurança hídrica mesmo em condições climáticas adversas.

 

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