Solo rachado e seco com pequenas plantas brotando em uma área rural.

O risco de seca sobre municípios com agricultura familiar mudou de distribuição e intensidade em 2026, com piora principalmente nos plantios iniciados em junho e julho. A avaliação consta no relatório RiSAF – Risco da Seca na Agricultura Familiar – Ago/26, publicado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) em 2 de setembro de 2026.

O estudo considera principalmente lavouras não irrigadas de feijão e milho. Para estimar o potencial de impacto da estiagem, o levantamento cruza informações sobre déficit de precipitação, umidade do solo, condição da vegetação e vulnerabilidade dos municípios. A análise também leva em conta o calendário agrícola utilizado na avaliação dos cultivos.

Risco aumenta nos plantios de junho e julho

Entre os plantios iniciados em agosto de 2026, um município foi classificado na faixa de risco muito alto, enquanto 38 apresentaram risco alto e 29 ficaram na categoria moderada. Os municípios sob risco alto estavam distribuídos pelas regiões Sudeste, Norte e Centro-Oeste, indicando que a atenção não se concentra em uma única área do país.

O cenário foi mais severo para as lavouras iniciadas em julho. Nesse grupo, seis municípios apareceram com risco muito alto, 159 com risco alto e 114 com risco moderado. A comparação com 2025 mostra uma elevação expressiva na faixa alta: eram 42 municípios no ano anterior, contra 159 em 2026.

Também houve agravamento entre os cultivos iniciados em junho. O número de municípios classificados com risco alto passou de 234, em 2025, para 316 em 2026. Na categoria de risco muito alto, foram identificados nove municípios neste ano, ante oito no mesmo período do ano passado.

Como a seca pode afetar o ciclo agrícola

O indicador do Cemaden não representa uma perda de produção já confirmada. Ele funciona como uma sinalização de maior potencial de impacto, cuja consequência depende da intensidade do déficit hídrico e do momento em que ele ocorre no ciclo das culturas. Por isso, a mesma classificação de risco pode produzir efeitos diferentes conforme o estágio da lavoura e as condições locais.

Quando a seca moderada ou mais intensa aparece no início do ciclo, pode atrasar a implantação das lavouras. A falta de umidade adequada dificulta o estabelecimento das plantas e pode levar o produtor a adiar o plantio. Se o déficit de água ocorre durante o desenvolvimento do feijão ou do milho, aumenta o risco de quebra de safra.

Essa relação entre clima e calendário é especialmente relevante para a agricultura familiar, que reúne produtores expostos às condições de disponibilidade de água e às características específicas de cada município. Ao relacionar os dados meteorológicos e ambientais com o período de plantio, o relatório oferece uma leitura mais localizada do risco, além de uma previsão climática geral.

Dados combinam clima, solo e vulnerabilidade

A metodologia considera diferentes sinais de estresse hídrico. O déficit de precipitação indica a falta de chuva em relação ao esperado, enquanto a umidade do solo ajuda a mostrar a disponibilidade de água na área cultivada. A condição da vegetação complementa a análise ao apontar possíveis efeitos sobre o desenvolvimento das plantas.

O levantamento também incorpora a vulnerabilidade dos municípios. Dessa forma, a classificação não depende apenas da quantidade de chuva registrada ou estimada, mas da combinação entre as condições ambientais e a capacidade de exposição das áreas de agricultura familiar. O resultado é organizado em níveis de risco moderado, alto e muito alto.

Para definir os períodos de plantio de feijão e milho, o estudo utiliza como referência o calendário agrícola da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A informação permite comparar o risco em diferentes momentos de implantação das lavouras e acompanhar como a irregularidade das chuvas pode alterar as condições de produção.

Alerta orienta acompanhamento das lavouras

Os resultados reforçam a importância de acompanhar a evolução da umidade do solo, da vegetação e das chuvas durante o ciclo agrícola. O risco apontado para 2026 não determina sozinho o resultado da colheita, mas indica onde a combinação de estiagem e vulnerabilidade pode exigir maior atenção de produtores, cooperativas e serviços de assistência técnica.

A concentração de municípios nas faixas alta e muito alta nos plantios de junho e julho mostra que o momento de início da lavoura é um dos fatores centrais para interpretar o impacto da seca. Para o agricultor familiar, essa diferença de calendário pode significar maior ou menor exposição ao déficit hídrico, conforme a distribuição das chuvas e a capacidade de retenção de água no solo.

Com a atualização do monitoramento, o Cemaden oferece uma referência territorial para avaliar o risco de seca na agricultura familiar em diferentes etapas do plantio. A leitura dos dados deve ser feita como alerta de potencial de impacto, sem transformar a classificação em confirmação antecipada de perdas nas lavouras.

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