
De acordo com Rolando Bonaccorsi, Diretor de Operações da Vert Analytics, além de líder em IA e ciência de dados aplicadas a negócios e operações, a expansão da inteligência artificial aumentou a atenção sobre a quantidade de processamento necessária para treinar e executar modelos, colocando o consumo de energia dentro das discussões sobre eficiência operacional. Em ambientes tecnológicos, o desempenho precisa ser analisado junto aos recursos utilizados para sustentá-lo, especialmente quando novas aplicações ampliam a demanda computacional.
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Por que a IA aumentou a atenção sobre energia?
Aplicações de inteligência artificial dependem de centros de processamento capazes de executar grandes volumes de operações. Em determinadas cargas de trabalho, especialmente aquelas que envolvem modelos mais complexos, a demanda computacional pode ser elevada. Como consequência, servidores, sistemas de refrigeração e demais componentes da infraestrutura precisam operar continuamente para atender às necessidades das aplicações. Quanto maior a utilização desses recursos, maior tende a ser a importância de acompanhar o consumo e identificar oportunidades de otimização ao longo da operação.
O consumo energético, porém, não está relacionado apenas ao tamanho do modelo. A frequência de utilização, o tipo de processamento, a quantidade de dados movimentada e o tempo de execução também influenciam a demanda. Uma aplicação utilizada poucas vezes apresenta uma dinâmica diferente de outra que recebe milhares de solicitações diariamente. Por isso, como destaca Rolando Bonaccorsi, avaliar o consumo exige observar o comportamento real da aplicação e não apenas as especificações técnicas do modelo utilizado.
Essa diferença torna a eficiência uma questão de arquitetura. Não basta perguntar quanto uma aplicação consegue processar. Também é necessário compreender quais recursos são necessários para produzir determinado resultado e se existe uma maneira menos custosa de realizar a mesma tarefa. Decisões sobre processamento, armazenamento e distribuição das cargas podem, portanto, influenciar tanto o desempenho da solução quanto a quantidade de energia necessária para mantê-la em funcionamento.
Onde a eficiência computacional começa?
Uma das possibilidades está na escolha adequada dos modelos. Nem toda tarefa exige a maior capacidade disponível. Processos mais simples podem ser executados por modelos menores ou estruturas menos complexas, evitando o uso de recursos superiores aos necessários para alcançar o resultado esperado. Essa decisão também pode facilitar o dimensionamento da infraestrutura, já que diferentes aplicações passam a utilizar recursos compatíveis com suas exigências específicas.
O mesmo princípio vale para o processamento dos dados. Informações podem ser armazenadas, transferidas ou processadas várias vezes sem que isso represente um ganho proporcional para a aplicação. Identificar essas repetições permite reduzir operações desnecessárias e, consequentemente, o consumo associado a elas. Revisar fluxos de dados, rotinas de processamento e políticas de armazenamento pode revelar etapas que consomem recursos sem contribuir diretamente para o resultado final.
Conforme evidencia Rolando Bonaccorsi, que atua na gestão de operações e delivery em tecnologia, essa perspectiva aproxima a discussão energética de uma preocupação já conhecida pelas equipes de TI: utilizar recursos de maneira compatível com a necessidade real. A eficiência passa, então, a envolver tanto desempenho quanto consumo. Essa avaliação permite buscar soluções que mantenham a capacidade necessária sem ampliar a infraestrutura além do que a operação efetivamente demanda.
Como a infraestrutura interfere no consumo?
Servidores são apenas uma parte da infraestrutura necessária para manter ambientes de inteligência artificial funcionando. Sistemas de armazenamento, rede, refrigeração e equipamentos de suporte também participam da operação. Assim, qualquer aumento de processamento pode produzir efeitos sobre diferentes componentes do ambiente. Em vista disso, uma avaliação restrita ao consumo dos servidores pode deixar de considerar outras fontes relevantes de demanda energética associadas ao funcionamento da estrutura.
No fim, como salienta Rolando Bonaccorsi, a localização da infraestrutura também pode influenciar a eficiência energética. Centros de processamento operam sob condições distintas de temperatura, disponibilidade de energia e necessidade de refrigeração. O desenho físico e operacional do ambiente pode, portanto, interferir na quantidade de energia necessária para manter determinada capacidade computacional. Em ambientes de maior escala, decisões relacionadas à climatização, distribuição dos equipamentos e aproveitamento da capacidade disponível podem contribuir para controlar o consumo ao longo do tempo.









