
Crescimento da base de cotistas de fundos estruturados eleva a exigência por informações claras, acessíveis e atualizadas sobre a posição de cada investidor, reforçando o papel da tecnologia na comunicação entre administradores fiduciários e público de varejo
A democratização do acesso a fundos estruturados trouxe um desafio de comunicação que a indústria de administração fiduciária ainda está aprendendo a resolver por completo. Um investidor institucional costuma contar com equipe própria de análise, capaz de interpretar relatórios técnicos detalhados sobre a carteira de um FIDC ou de um fundo de participações. Já o investidor pessoa física, cuja presença em cotas seniores de fundos de crédito privado cresceu de forma expressiva desde a consolidação da Resolução CVM 175, depende de informações apresentadas de maneira simples, acessível e disponível a qualquer momento, sem precisar recorrer a relatórios técnicos elaborados para um público especializado.
Esse descompasso entre a linguagem tradicionalmente utilizada pela indústria e a necessidade de compreensão do investidor de varejo tem levado administradores fiduciários a investir na modernização de seus canais de comunicação com cotistas. A própria Resolução CVM 175 determina que informações e documentos exigidos pela norma estejam acessíveis por meios eletrônicos, o que consolidou o extrato digital como padrão mínimo de relacionamento entre administrador e investidor, substituindo gradualmente relatórios que antes chegavam apenas em periodicidade anual ou por solicitação expressa do cotista.
Do informe de rendimentos anual ao extrato em tempo real
Durante muito tempo, o principal ponto de contato entre um cotista pessoa física e a posição de seus investimentos em fundos estruturados era o informe de rendimentos, documento produzido uma vez por ano com finalidade essencialmente fiscal. Fora desse momento, o acompanhamento da rentabilidade e da composição da carteira dependia, na maioria dos casos, de contato direto com a gestora ou com a plataforma de distribuição responsável pela venda da cota.
Para Lidiane dos Santos, diretora da ID CTVM, a expectativa do investidor de varejo em relação à frequência e à clareza das informações mudou de forma definitiva:
“O investidor pessoa física que hoje aplica em um FIDC ou em uma nota comercial está acostumado a acompanhar outros investimentos em tempo real, por meio de aplicativos e plataformas digitais. Ele não aceita mais esperar um relatório anual para entender como seu investimento está se comportando. Isso exigiu que administradores fiduciários desenvolvessem canais digitais capazes de apresentar essa informação de forma contínua e em linguagem acessível”, explica a executiva.
Simplicidade não pode comprometer a precisão da informação
O principal desafio técnico por trás de um extrato eletrônico voltado ao investidor de varejo está em equilibrar simplicidade de apresentação com precisão da informação subjacente. Uma posição em cotas de um fundo estruturado envolve conceitos como valor de cota, rentabilidade acumulada, eventuais provisões para perdas e o enquadramento de risco da classe de cotas, elementos que precisam ser traduzidos de forma compreensível sem que a simplificação distorça o entendimento real do investidor sobre a natureza do produto em que aplicou seus recursos.
A ID CTVM, que reúne mais de 550 fundos ativos e mais de 9 mil contas operacionais sob sua administração, direciona parte de seus investimentos tecnológicos ao desenvolvimento de canais digitais de relacionamento com cotistas, aplicando aos extratos e comunicados voltados ao investidor pessoa física o mesmo rigor de conciliação em tempo real utilizado nos relatórios técnicos destinados a gestoras e investidores institucionais.
Comunicação proativa reduz volume de dúvidas e reclamações
Além de atender a uma exigência regulatória, a disponibilização de extratos eletrônicos atualizados tem efeito direto sobre a experiência do investidor e sobre o volume de contatos recebidos por centrais de atendimento de administradores fiduciários. Quando um cotista consegue acompanhar de forma autônoma e clara a evolução de sua posição, reduz-se a necessidade de solicitar explicações adicionais sobre eventos rotineiros, como o pagamento de uma amortização ou uma pequena variação na rentabilidade mensal de sua cota.
Essa comunicação proativa também contribui para reduzir a assimetria de informação entre investidores institucionais e de varejo, um dos pontos historicamente mais sensíveis na relação entre fundos estruturados e o público não especializado que passou a ter acesso a esse tipo de produto após a flexibilização promovida pela Resolução CVM 175.
Perspectivas para a comunicação com o investidor de varejo
Com a base de investidores pessoa física em fundos estruturados seguindo em trajetória de crescimento, a capacidade de administradores fiduciários de comunicar informações complexas de forma simples, precisa e acessível deve se consolidar como um diferencial tão relevante quanto a qualidade técnica da gestão de risco aplicada às carteiras. Nos próximos anos, a tendência é que extratos eletrônicos e canais digitais de relacionamento deixem de ser um diferencial competitivo pontual e passem a integrar o conjunto mínimo de exigências esperadas de qualquer administrador fiduciário que atenda o público de varejo brasileiro.
Sobre a ID CTVM
A ID CTVM é uma instituição especializada em infraestrutura para o mercado de capitais, com serviços de administração fiduciária, custódia, escrituração, controladoria e distribuição de fundos de investimento. Fundada em 2020, a companhia reúne atualmente mais de 550 fundos e mais de R$ 50 bilhões sob administração e custódia, com presença relevante em estruturas como FIDCs, FIPs e FIIs. Combinando tecnologia, governança, conhecimento regulatório e eficiência operacional, a ID oferece suporte a gestores, investidores, empresas e demais participantes do mercado, contribuindo para operações mais seguras, eficientes e transparentes.









